CULTURAS DE ÁGUA DOS POVOS INDÍGENAS DA AMÉRICA LATINA (SESSÃO ESPECIAL – PARCERIA COM REGIONAL)

CULTURAS DE ÁGUA DOS POVOS INDÍGENAS DA AMÉRICA LATINA

(SESSÃO ESPECIAL – PARCERIA COM REGIONAL)

 

Contextualização

A sessão discutiu as relações culturais dos povos indígenas com a água, que essencialmente não se trata de apenas um direito humano, mas também, como um elemento espiritual e ancestral. Para compreender essa ligação com a água, diferente da usual, deve-se promover a conexão entre as pessoas e a natureza e entender a água não somente como um recurso, mas também um elemento garantidor da sustentabilidade e da manutenção da cultura e tradição dos povos indígenas. De acordo com a discussão, não só os indígenas têm essa ligação, mas todos (populações do campo e da cidade) deveriam estar ligados a essa percepção.

Recomendações

Recomenda-se compreender a dimensão espiritual da água para os povos indígenas considerando sua manutenção no planeta. Recomenda-se também integrar e promover a troca de saberes e conhecimentos entre os povos originários e as autoridades políticas sobre o manejo da água, sobretudo ao conhecimento das mulheres das comunidades indígenas, as quais são conhecedoras de seu manejo. É urgente também minimizar os confrontos políticos territoriais entre os povos tradicionais e os agentes do setor econômico, visto que os povos indígenas guardam as nascentes e os mananciais garantindo a sua sustentabilidade e preservação. Propõe- se a formulação pela Unesco de um fórum sobre a água para jovens e povos indígenas, afim de unir e debater com este público sobre soluções e trocas de saberes para o manejo de água. Recomenda-se o fortalecimento do envolvimento das mulheres como agentes de cuidado e compartilhamento da água. E por fim, recomenda-se que os povos tradicionais construam um comitê de influência política nas tomadas de decisões sobre leis de recursos hídricos, o que resultará em maior visibilidade política internacional para promoção da justiça aos povos tradicionais frente a situações de impunidade em seus países.

Conclusões

É necessário dar ouvidos aos ancestrais, estabelecer um equilíbrio entre a cosmovisão indígena e a cosmovisão ocidental. Na cosmovisão indígena, a água é um ser vivo, e como ser vivo também é um ser divino. Esses povos são seres guardiões, que protegem a água em suas nascentes e, quando há interferência humana em desequilíbrio com a natureza nesses espaços põe em risco a preservação da água. Assim, ações para fortalecimento da participação dos povos indígenas na tomada de decisão são imprescindíveis para a garantia de uma boa gestão da água.

COORDENAÇÃO
MIGUEL DORIA – URUGUAI

RELATORES
CRISTIANE MARTINS – BRASIL
ALINE MARCIMIANO LIMA – BRASIL

PAINELISTAS

LIDIA BRITO – BRASIL
LUIS OLMEDO – EQUADOR
FREYA WUÑELFE A. MINCK – CHILE
RAFAEL VAL SEGURA – MÉXICO

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