SOCIEDADE CIVIL E CAPITAL SOCIAL

SOCIEDADE CIVIL E CAPITAL SOCIAL

 

Contextualização

Considerando a água como centro do interesse de diferentes camadas econômicas, e o caráter conflitivo de sua gestão e usos, a sessão buscou abordar a relação entre sociedade civil, capital social e a água. Diante das desigualdades sociais, que ocasionam um acesso desigual a água, apontou-se a prevalência dos agentes econômicos sobre o capital social nas políticas públicas brasileiras. Um dos principais desafios encontrados nas ações de gestão democrática na Bolívia e República Dominicana foi a superação das desigualdades sociais que se intensificaram com o processo de urbanização, levando ao crescimento de uma população marginalizada concentrada ao redor da bacia de Ozama-Isabela, por exemplo. No caso da República Dominicana uma importante estratégia de gestão democrática foi incluir os grupos indígenas na separação das bacias e sub-bacias do país. Como caso relevante, em um exercício de dividir as regiões por grupos de semelhanças conforme cinco aspectos (como a água e o solo), evidenciou-se a diferença entre a visão dos técnicos e a percepção dos grupos indígenas sobre suas organizações sociais. Ao fim do exercício, ao invés de 25 sub -bacias pensadas inicialmente pelos órgãos governamentais, indígenas e técnicos obtiveram somente 7 aglomerados, considerando os principais níveis socioprodutivos dos Urus, o que teve resultados positivos na sua gestão. Como resultado, a lição é que se não se partir da percepção das pessoas alvos dos projetos, os projetos tendem ao fracasso e não serem concluídos. Um outro caso realizado na República Dominicana foram cursos realizados com mulheres para analisar como relações de poder refletiam no uso dos recursos naturais disponíveis, no caso o uso do rio, que era a fonte de água daquelas mulheres. Buscou-se também mapear todos os caminhos d’água conhecidos por elas, a fim de entender a percepção dos Urus sobre os recursos naturais e, a partir disso, saber onde estavam os principais problemas que elas viam. Com isso, gradualmente fizeram dinâmicas e discussões relacionadas à temporalidade da vida da mulher. Assim, puderam analisar não só a temporalidade das relações entre as mulheres, e entre homens e mulheres, mas também das relações socioprodutivas com o espaço em que tais relações se dão, em um exemplo de efetiva governança da região.

Recomendações

A falta de uma gestão democrática da água traz uma visão de que a água deveria ser tratada como um bem público pelas instituições políticas, através do fomento a espaços participativos de caráter não somente consultivo, mas deliberativo, principalmente. Assim recomenda-se que a participação seja deliberativa, e que os projetos, como o caso apresentado da República Dominicana, sirvam de referência para outros.

Conclusões

Ao final, concluiu-se que se não se partir da percepção das pessoas alvos dos projetos, os projetos estão fadados ao fracasso: vão só até certo ponto e param. Persistência e fortalecimento dos comitês locais são essenciais para a evolução dos projetos.

COORDENAÇÃO
PEDRO JACOBI – BRASIL

RELATORES
REBECCA VALÕES DYTZ – BRASIL

PAINELISTAS
DAVID CHAVERRA – COLÔMBIA
PEDRO JACOBI – BRASIL
SONIA DÁVILA POBLETE – BOLÍVIA

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