ÁGUA E CIDADANIA NO 8º FÓRUM MUNDIAL

ÁGUA E CIDADANIA NO 8º FÓRUM MUNDIAL

De todos os fóruns mundiais da água realizados, o 8º, em Brasília, ficou marcado pela intensa participação do cidadão. Tivemos a presença de autoridades políticas, pesquisadores, ativistas, administradores públicos e gestores de grandes empresas, mas o grande número de pessoas que visitaram a feira paralela durante o período do evento, indiscutivelmente, fez deste um encontro singular.

Foram mais de 100 mil pessoas, um fluxo cerca de três vezes maior do que o esperado inicialmente pela organização, visitando o pavilhão da Feira, mostrando que a preocupação com a água já é uma realidade para todos. Pudemos sentir que há claramente uma consciência emergente de que a água não nasce na torneira e não é um recurso inesgotável.

E, se a presença popular foi destaque em Brasília, o ápice dessa participação foi o Fórum Cidadão, com suas discussões sobre ações para o Brasil, para a América Latina e para o mundo.

Os 10 Princípios assinados pelo Fórum Cidadão mostram esse novo pensamento e apontam para os caminhos que devem ser trilhados na preparação de um futuro com segurança hídrica. São diretrizes que apontam para a garantia da água como direito básico, a valorização da vida e a preservação da saúde, a gestão compartilhada e transparente empenhada na prevenção de calamidades, a disseminação de informação e educação ambiental e, principalmente, a ênfase nas mulheres e jovens como sujeitos e a serem cuidados e protegidos em todos esses processos.

A água é fundamental para a nossa vida e os seus benefícios não se limitam à higiene, alimentação e saúde. Todos os processos produtivos utilizam, em sua medida, a água como insumo, além de atividades esportivas e de recreação. Ou seja, o desenvolvimento econômico, a possibilidade das pessoas progredirem socialmente e o seu conforto e bem estar estão ligados diretamente à disponibilidade hídrica.

O cidadão já tem clara noção disso e busca se informar, discutir, tomar posições e defender aquilo que acredita seja o melhor uso desse recurso natural tão importante. Por essa mobilização, Conselho Mundial da Água ficou extremamente grato à participação das pessoas em Brasília, trazendo sua energia renovadora aos debates sobre o tema.

Sabemos que ainda existem muitas pessoas nesse planeta sem acesso seguro à água. As soluções são variadas e cada caso deve ser analisado conforme as suas circunstâncias locais para definir qual o melhor caminho. Precisamos encontrar meios técnicos, institucionais e financeiros para garantir a segurança hídrica, mas sem dogmatismos, sempre colocando as pessoas como o centro do planejamento. E se o cidadão é o foco de todo esse debate, é fundamental que ele esteja incluído definitivamente na elaboração e implementação das soluções que estamos construindo para o futuro.

 

BENEDITO BRAGA

Presidente do 8º Fórum Mundial da Água,

Presidente da Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do

Estado de São Paulo e Presidente Honorário do Conselho Mundial da Água.

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