Mulheres-Perspectivas e Desafios com Relação à Agua

Mulheres-Perspectivas e Desafios com Relação à Agua

Durante a realização do8º Fórum Mundial da Água tive a oportunidade de participar da Oficina de Capacitação Embaixadoras da Água, e também da sessão “Mulheres Perspectivas e Desafios com Relação à Água”, coordenada por Margarida Yassuda- Diretora da BPW Brasil e Vice-presidente WfWP – Women for Water Partnership, e que teve como  palestrantes : Dra Raquel Dodge (Procuradora Geral da República), Dra Christianne Dias (Diretora-Presidente ANA), Rosanna Garjuli (Brasil), Asha Abdulrahman (Kenya), Khin Ni Ni Thein (Myanmar), Urutahi Waikerepuru (Nova Zelandia), Arzu Ozyol (Turquia).

O evento foi realizado em uma parceria entre a Business Profissional Women Brasil (BPW) organização internacional de Mulheres de Negócios (empresárias) e Profissionais, a Soroptimist International e a Women for Water Partnership (WfWP), organizações internacionais de mulheres de negócios e profissionais, com a presença de  mulheres de diferentes áreas de conhecimento e diferentes localidades do Brasil e do mundo.

O principal foco da oficina Embaixadoras da Água foi o de sensibilizar as participantes sobre os cuidados no uso, conservação e preservação dos recursos hídricos e principalmente a necessidade da participação da mulher nos processos decisórios de gestão sustentável dos recursos hídricos como protagonista de ações concretas no âmbito e na perspectiva feminina.

Por meio de dinâmicas vivenciais e palestras sobre o tema “Gênero e Água – no contexto do meio ambiente, cidadania e ética e gestão de recursos hídricos- a oficina de capacitação possibilitou a compreensão e o aprendizado de conceitos importantes sobre bacias hidrográficas do Brasil e América do Sul, rios transfronteiríços, distribuição da água no planeta, disponibilidade e qualidade das águas, enquadramento de corpos d`água, outorga, cobrança pelo uso da água, usos múltiplos dos recursos hídricos, sustentabilidade, normas jurídicas e ambientais, aspectos legais e institucionais, sistemas de informações e gerenciamento de recursos hídricos, entre outros, ou seja, abordagens múltiplas sobre a água como um recurso natural, cultural, social, econômico, jurídico e sua gestão.

Outro aspecto abordado na oficina foi sobre atuação da mulher que ainda é incipiente nos Comitês de Bacias Hidrográficas e outros segmentos relativos à gestão hídrica, pois muitas vezes, apesar de presentes, não ocupam cargos de decisão, principalmente em áreas da engenharia relativa de recursos hídricos.

Uma confraternização holística formando uma mandala (círculo de energia) de mulheres compromissadas em se tornarem agentes de mudanças e como a missão de atuação (internacional) em transmitir e implantar condutas sustentáveis de preservação dos recursos hídricos, e de serem multiplicadoras de ações e conhecimento, bem como de ampliarem esta iniciativa para a formação de uma rede global de embaixadoras, finalizou a oficina de capacitação.

Na sessão “Mulheres Perspectivas e Desafios com Relação à Água”, a Dra. Raquel Dodge – Procuradora Geral da República- enfatizou sobre a base legal dos direitos das mulheres e aos direitos humanos à água e ao saneamento, que não apenas estipulam o direito de ter acesso à água e saneamento adequados e acessíveis, mas também o direito participação na modelagem da provisão, gestão e salvaguarda da água de forma sustentável.

Foram abordados também assuntos sobre os  grandes desafios mundiais em relação à água, tais como: superar a escassez, garantir qualidade de água para todos, assegurar segurança alimentar que estão diretamente relacionados com a falta de acesso e controle dos recursos hídricos pelas mulheres.

A participação da representante da Nova Zelândia foi enriquecedora onde discorreu sobre a cultura maori, que trata a água de uma maneira emocional, enfatizando que somos água e que, portanto estamos em conexão pessoal com a água que é fonte da vida.

Experiências nacionais e internacionais foram relatadas por mulheres envolvidas com a questão hídrica e que possibilitaram a ampliação do conhecimento de problemas, soluções e boas práticas para o enfrentamento das questões relacionadas à gestão sustentável dos recursos hídricos de forma igualitária, entre mulheres e homens, fortalecendo a condição das mulheres que são naturalmente e culturalmente aptas a cuidar da água para a sobrevivência da sua família e das gerações futuras.

Tais eventos são experiências ímpares, enriquecedoras e de importância para o fortalecimento da necessidade da presença “imprescindível” da mulher, de forma igualitária, nas diversas esferas decisórias de gestão dos recursos hídricos, tais como nos conselhos de recursos hídricos estaduais e federais, nos comitês de bacias hidrográficas, conselhos de meio ambiente, bem participando efetivamente de associações nacionais e internacionais de mulheres que tratam a questão hídrica como prioridade, com as citadas no presente artigo–Business Professional Women Brasil (BPW), a Soroptimist International e a Women for Water Partnership (WfWP).

 

Zeide Furtado

 

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